O barro vermelho é a marca registada do solo aqui na zona de Albufeira e é ele que dá a cor característica aos nossos trilhos. Esta terra é muito rica em minerais e torna se extremamente dura durante os meses de verão o que cria um piso firme mas exigente para as suspensões dos motoquatros. Eu gosto de observar como a natureza se adapta a este solo tão específico e como as plantas conseguem sobreviver com tão pouca água durante grande parte do ano. Conduzir sobre esta terra é sentir a pulsação do Algarve real que existe para além das zonas de asfalto e betão. O meu trabalho leva me todos os dias para o meio desta paisagem e eu nunca me canso de apreciar as variações de tom que o barro assume com a luz.
A vegetação que encontramos nos trilhos é composta por árvores resistentes como a alfarrobeira e a oliveira. São espécies que têm raízes profundas e que aguentam o calor forte do sul sem perder a sua força. Durante os nossos passeios passamos por zonas onde os sobreiros mostram as suas cascas de cortiça que são uma das riquezas de Portugal. Eu ensino os meus clientes a respeitar este ecossistema e a circular apenas pelos caminhos já batidos para não danificar as plantas jovens. O motoquatro permite um contacto muito próximo com esta flora e o cheiro a resina de pinheiro mistura se com o odor característico do barro seco criando uma memória olfativa muito forte.
- O barro vermelho oferece uma excelente tração para os pneus quando está seco mas exige cuidado.
- A flora local inclui espécies aromáticas como o alecrim e o rosmaninho que crescem junto aos trilhos.
- Os muros de pedra seca que delimitam os caminhos são exemplos de construção tradicional que respeitamos.
- A fauna local como coelhos e perdizes aparece com frequência nas zonas menos frequentadas do percurso.
- O relevo irregular do terreno de barro cria obstáculos naturais que testam a destreza técnica dos condutores.
Eu trato a terra com o mesmo cuidado com que trato as minhas máquinas. O respeito pelo meio ambiente é fundamental para que esta atividade possa continuar a existir durante muitos anos. Eu explico às pessoas que nós somos visitantes neste mundo natural e que devemos deixar apenas o nosso rasto de rodas e nada mais. O barro quando fica húmido torna se muito plástico e as marcas que deixamos contam a história da nossa passagem. Eu gosto de mostrar os pequenos detalhes da geologia local e como a erosão molda os vales que atravessamos. É um mundo de cores quentes e texturas variadas que surpreende quem só conhece a costa algarvia.
A poeira vermelha que se levanta durante o passeio é o resultado do desgaste natural deste solo. Ela infiltra se em tudo e dá uma patine de aventura à nossa roupa e às nossas máquinas. Para mim essa poeira é um sinal de liberdade e de contacto com a terra mãe. Quando voltamos para a base em Albufeira eu vejo o reflexo dessa terra nos olhos dos meus clientes. É uma ligação física que o asfalto não consegue proporcionar. Se você quer sentir a textura do Algarve e ver como a natureza e a mecânica se encontram no terreno de barro venha participar num dos meus roteiros. O meu compromisso é com a verdade da paisagem e com a integridade do solo que pisamos.